A 22V Research identifica patamares críticos para os rendimentos das obrigações e para o preço do petróleo que podem comprometer o bull market em ações, alertando que estes níveis já não estão longe.
Dennis DeBusschere, chief market strategist da casa de investimento, explica que os investidores inquiridos pela 22V esperam que uma subida da yield das Treasury a 10 anos dos EUA para 5%, ou um preço do petróleo acima de 115 dólares por barril, provoquem destruição de procura. Na prática, isto significaria um crescimento do PIB abaixo de 1% durante vários trimestres.
Nesta terça-feira, a yield da Treasury a 10 anos subiu para o nível mais elevado desde o início de 2025, sendo negociada em torno de 4,65%. DeBusschere sublinha que a subida até 5% pode acontecer em breve se o Estreito de Ormuz, via crucial para o transporte de crude e que tem estado praticamente fechado desde o início da guerra entre os EUA e o Irão, não for reaberto num horizonte próximo.
Na sua nota de terça-feira a clientes, DeBusschere descreve a recente movimentação como um risco de cauda em alta, salientando que o aumento invulgarmente rápido das yields a 10 anos na última semana elevou esse risco. Para o estratega, a grande incógnita macroeconómica é a intensidade e a duração das restrições de oferta. Nas suas palavras, algo pode partir-se.
Quando as yields globais a 10 anos se movem tão abruptamente, aponta DeBusschere, os investidores começam a recear que possa ocorrer um evento adverso de maior dimensão.
No mercado de matérias-primas, os futuros de Brent, referência global para o petróleo, foram transacionados acima de 110 dólares por barril esta terça-feira. Desde o início da guerra, o Brent subiu mais de 54% até ao fecho de segunda-feira.
Riscos adicionais para as ações
As ações recuaram na sessão de terça-feira, pressionadas pela subida das taxas de juro. A yield da Treasury a 30 anos dos EUA atingiu o nível mais elevado em quase 19 anos. Apesar desta correção, os principais índices norte-americanos continuam próximos de máximos históricos.
Segundo Peter Oppenheimer, chief global equity strategist da Goldman Sachs, esta resiliência dos índices resulta das expectativas de crescimento robusto do PIB. A Goldman antecipa um crescimento nominal do PIB global de 5,9% em 2026, acima dos 4,7% registados no ano anterior. Esta aceleração é suportada, sobretudo, por um crescimento considerado extraordinário dos lucros nos setores tecnológico e energético.
Oppenheimer alerta, contudo, para a elevada concentração da valorização. De acordo com o estratega, os setores de telecomunicações, media e tecnologia representam 85% do retorno do S&P 500 neste ano, o que torna o rally de mercado dependente de um número reduzido de áreas.
O estratega admite que as ações podem enfrentar uma correção, em particular se a inflação se mantiver acima do esperado. Adicionalmente, uma nova subida acentuada das yields obrigacionistas representa, segundo Oppenheimer, um risco significativo para os investidores em ações.
Na sua avaliação, ainda que os rallies de momentum nas várias regiões reflitam um crescimento sólido dos lucros subjacentes, estes movimentos aumentam o risco de uma correção acionista caso se deteriore a combinação entre crescimento económico e inflação.

