Após um atraso de duas semanas relativamente à data inicial prevista de 1 de outubro, motivado por condições meteorológicas adversas, a Tesla realizou a apresentação oficial do aguardado Roadster. A demonstração decorreu nas instalações de desenvolvimento e testes da SpaceX em Waco, no estado do Texas. Com um desenho em cunha de linhas vincadas e inspiração abertamente ciberpunk, o veículo elétrico protagonizou manobras aéreas inéditas na indústria automóvel, recorrendo a propulsores de ar comprimido para estabilizar acrobacias e efetuar aterragens precisas no asfalto.
Durante a exibição, o desportivo subiu parcialmente uma rampa invertida, fixado à estrutura através de um sistema de vácuo acionado por ventoinhas, antes de se projetar no ar em posição invertida. Com recurso aos jatos de ar, corrigiu a trajetória e tocou o solo sem incidentes. Numa segunda demonstração acrobática, o veículo saltou por cima de vários automóveis da marca, incluindo um camião articulado elétrico da fabricante, voltando a inverter a sua posição em pleno voo e a aterrar com o apoio do impulso a ar comprimido. O presidente executivo da empresa, Elon Musk, comentou o sucesso dos testes em tom pragmático logo após a execução dos exercícios.
Configurações técnicas e capacidades dinâmicas
No decorrer dos testes no local, o protótipo registou uma aceleração dos 0 aos 96 km/h (0 a 60 mph) em apenas 0,81 segundos. A velocidade máxima anunciada para o modelo situa-se nos 370 km/h (230 mph), embora a liderança da empresa tenha afirmado que a versão de produção final poderá apontar para cerca de metade da velocidade do som, o equivalente a Mach 0,5 ou 616 km/h (383 mph). A fabricante confirmou que a entrada em produção em série está prevista para o ano de 2028.
A gama estará dividida em três variantes distintas. A versão base, denominada Performance, é homologada para estrada, tem lotação para dois ocupantes, inclui o sistema de sucção multimodo e atinge os 96 km/h em menos de 1,6 segundos. A variante intermédia, designada Thrust, foi desenhada para circuitos de competição e acrescenta propulsores traseiros de gás frio, permitindo cumprir o mesmo arranque em menos de 0,9 segundos. No topo da gama situa-se a opção Rocket, configurada para apenas um passageiro e vocacionada para manobras aéreas curtas, dispondo de propulsores de perímetro que asseguram aceleração ascendente, movimento frontal e rotação lateral, registando uma aceleração dos 0 aos 96 km/h em menos de 0,59 segundos. Todas as configurações prometem uma autonomia superior a 480 quilómetros (300 milhas).
Viabilidade regulatória e processo de reserva
Apesar do aparato técnico, a construtora não esclareceu de que forma a variante Rocket poderá obter homologação para circulação na via pública, dadas as características dos sistemas de propulsão a ar comprimido. No plano comercial, a empresa começou a aceitar reservas mediante um sinal inicial de 5.000 dólares, complementado por uma transferência bancária obrigatória de 45.000 dólares nos dez dias subsequentes. O valor final de comercialização não foi divulgado, esperando-se que ultrapasse os 250.000 dólares. Analistas do setor consideraram o evento uma demonstração de força técnica e de engenharia sem valor comercial imediato, apontando para a crescente aproximação tecnológica entre os projetos automóveis e aeroespaciais da liderança da fabricante.


