Tim Cook aponta estratégia híbrida de IA da Apple como arma competitiva

Tim Cook aponta estratégia híbrida de IA da Apple como arma competitiva

Tim Cook aponta estratégia híbrida de IA da Apple como arma competitiva

Tim Cook teve vários temas em destaque na sua última conferência de resultados como CEO da Apple, numa altura em que a cotação da empresa recuou devido a preocupações com constrangimentos de oferta. Apesar da correção em bolsa, o gestor afirmou aos acionistas que a Apple tem "enormes oportunidades" na inteligência artificial.

Cook, que irá assumir o cargo de presidente executivo em 1 de setembro, considera que a abordagem híbrida da Apple à IA, em que parte dos workloads é executada diretamente em iPhones e Macs, é uma vantagem face aos grandes concorrentes tecnológicos que dependem das suas vastas infraestruturas de cloud.

Esta mensagem é vista como um sinal importante para o mercado sobre a capacidade da empresa em executar aplicações de IA, numa fase em que a Apple se prepara para lançar uma versão atualizada da assistente Siri no outono.

"A capacidade de executar alguma percentagem de pedidos em dispositivo é também muito estratégica e uma espécie de arma competitiva", afirmou Cook.

A Apple tem-se distinguido dos seus pares entre os grandes operadores de cloud ao gastar significativamente menos em investimentos de capital, ao mesmo tempo que procura afirmar-se como interveniente relevante em IA. A maior parte dos investimentos na indústria está a ser direcionada para data centers baseados em tecnologia Nvidia, destinados a correr modelos avançados de IA de empresas como a OpenAI e a Anthropic.

Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft comprometeram-se cada uma a investir bem mais de 100 biliões de dólares em capex este ano. No trimestre de junho, o investimento de capital da Apple ascendeu a 2,46 biliões de dólares, abaixo da estimativa de 3,44 biliões de dólares. Cook salientou, contudo, que as despesas operacionais estão a aumentar.

"Temos vindo a aumentar o nosso opex e a gastar mais em IA em geral", disse o CEO.

Em vez de apostar de forma pesada em data centers, a Apple sublinha que grande parte da sua suíte de IA, Apple Intelligence, pode ser executada diretamente nos dispositivos, tirando partido da potência total dos chips da empresa sem necessidade de comunicar constantemente com a cloud.

Segundo a Apple, esta abordagem permite fazer mais em IA, potencialmente reduzindo custos para empresas que estão a investir de forma significativa em software de IA. Cook deu o exemplo da Disney, onde "as equipas criativas recorrem cada vez mais ao Mac para fluxos de trabalho de IA em dispositivo que reduzem os custos globais de tokens na cloud e mantêm a sua propriedade intelectual segura", afirmou.

A estratégia híbrida da Apple será colocada à prova quando a Siri com IA for finalmente disponibilizada ao público. O muito aguardado lançamento da assistente pessoal da empresa dependerá do processador do iPhone para interpretar os pedidos e selecionar o modelo de IA em dispositivo mais adequado.

Contudo, existem compromissos relativamente ao que os modelos locais conseguem fazer. Para tarefas de IA mais complexas, a Apple irá recorrer ao Google Cloud para fornecer as respostas, utilizando infraestrutura baseada em unidades de processamento gráfico da Nvidia e processadores centrais da Intel. Estas tarefas incluem, por exemplo, a geração de imagens, explicou a empresa em junho, quando revelou o software.

Na altura, a Apple indicou que iria impor limites de utilização aos modelos em cloud e que os utilizadores poderiam aumentar esses limites através do iCloud. Esta opção abre à empresa uma nova via de monetização da IA.

Cook afirmou na quinta-feira que a Apple ainda não tem um "plano completo" para cobrar aos utilizadores, mas que pretende usar a IA como argumento comercial para as subscrições de iCloud.

"Acreditamos que haverá pessoas que vão querer usar isto bastante, e por isso teremos algum tipo de possibilidade de upgrade no iCloud+", referiu.

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