Esta semana de negociação em Wall Street será mais curta, mas traz atualizações em três debates centrais do mercado: o impacto da inteligência artificial no software, a força do consumidor norte-americano e a evolução da inflação.
1. Resultados: Salesforce e Costco em destaque
A Salesforce apresenta resultados na quarta-feira à noite e continua no centro das preocupações sobre a forma como a inteligência artificial pode afetar o seu negócio. A empresa terá de mostrar progresso, sobretudo no crescimento da sua plataforma Agentforce, que permite criar agentes de IA capazes de agir com intervenção humana limitada.
Os investidores vão olhar com atenção para a receita recorrente anual da Agentforce, para a evolução do negócio principal baseado em licenças por utilizador, para o cRPO, que mede a receita contratada esperada para os próximos 12 meses, e para as margens operacionais.
O mercado espera 11,05 mil milhões de dólares de receitas e 3,12 dólares de lucro por ação. A empresa também vai passar a reportar novos segmentos, reduzindo de cinco para dois, embora continue temporariamente a apresentar os números nos dois formatos.
A Costco divulga resultados na quinta-feira à noite. Como publica dados de vendas todos os meses, a atenção vai estar nas margens, no lucro, nas tendências de renovação de membros, nas vendas em lojas comparáveis e nas indicações da administração sobre mudanças no comportamento do consumidor.
Um dos pontos mais relevantes será a taxa de renovação nos Estados Unidos, que tem recuado nos últimos trimestres. A Costco tem apostado em medidas para melhorar a retenção, como marketing dirigido, e o mercado quer sinais de que essas iniciativas estão a funcionar.
O mercado espera 69,73 mil milhões de dólares de receitas e 4,93 dólares de lucro por ação.
2. Dados económicos: inflação PCE e PIB em segunda leitura
A maior atenção dos investidores estará no relatório de quinta-feira sobre consumo pessoal e rendimento, que inclui o índice de preços PCE, a medida de inflação preferida da Reserva Federal.
Os economistas esperam uma subida homóloga de 3,8% no índice principal e de 3,3% no núcleo, que exclui energia e alimentação. Em paralelo, o mercado segue também a segunda leitura do PIB do primeiro trimestre, embora esse dado tenha menos impacto por ser retrospetivo.
Outro dado relevante será o das vendas de casas novas na quinta-feira. A habitação tem um peso importante na economia porque está ligada a outras despesas, como mobiliário, eletrodomésticos e serviços.
O relatório de inflação é visto como decisivo porque o mercado acompanha de perto a margem de manobra da Fed. Com a inflação ainda sob pressão e o petróleo a subir, os investidores estão atentos a qualquer sinal de que as taxas possam manter-se elevadas por mais tempo.
O texto original aponta também que uma reabertura do Estreito de Ormuz poderia ajudar a travar a subida do petróleo e dos rendimentos obrigacionistas, o que aliviaría a pressão sobre a política monetária.
Segundo o texto original, o mercado atribuía, na sexta-feira, 42% de probabilidade a nenhuma redução de taxas até ao fim do ano, 41% a uma subida de um quarto de ponto e 15% a duas subidas.
Há ainda outro elemento no radar: o segundo cálculo do PIB do primeiro trimestre, que ajuda a perceber melhor a posição de partida da economia antes do impacto mais visível das tensões recentes.
As vendas de casas novas também merecem atenção, sobretudo se trouxerem sinais de maior inventário ou melhor acessibilidade para os compradores.

