Trump critica política de juros da FED e defende cortes mais agressivos

Trump critica política de juros da FED e defende cortes mais agressivos

Trump critica política de juros da FED e defende cortes mais agressivos

O presidente Donald Trump volta a manifestar desagrado com a política de taxas de juro da FED, defendendo que os Estados Unidos deveriam estar a pagar juros muito mais baixos. Apesar dos dados económicos considerados sólidos, Trump insiste que isso não deveria impedir o banco central de adotar uma postura monetária mais expansionista.

Trump renovou também as críticas a membros da FED, acusando-os de terem motivações políticas. Excluiu, no entanto, o presidente Kevin Warsh, que nomeou para o cargo mais cedo este ano. Segundo Trump, Warsh, que assumiu funções em maio e sucedeu Jerome Powell, está a fazer um "ótimo trabalho". Powell mantém-se no conselho de governadores.

Na visão de Trump, o problema reside no restante conselho da FED, que qualifica como "político". O presidente sublinhou que estão em funções pessoas nomeadas por Barack Obama, Joe Biden e por si próprio, e que muitos desses membros "ainda lá estão". De acordo com Trump, esses responsáveis continuam a votar no sentido de aumentar as taxas de juro, levantando a dúvida se o fazem por considerarem que é a decisão correta ou por razões políticas.

Apesar das críticas, a FED não aumenta a sua taxa de referência há mais de três anos. Em 2025, o Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) decidiu cortar as taxas três vezes na parte final do ano, depois de três reduções no ano anterior. No entanto, o ritmo destes cortes tem sido considerado insuficiente por Trump.

O presidente tem defendido que são necessários cortes adicionais para sustentar o crescimento económico e aliviar o encargo financeiro associado à dívida pública norte-americana, que ronda os 40 triliões de dólares. Trump argumenta que, há cerca de 25 anos, quando o país divulgava bons indicadores económicos, as taxas de juro desciam porque a economia era mais forte. Atualmente, na sua opinião, quanto melhores são os dados, pior é o impacto nas taxas de juro.

As declarações de Trump coincidem com a divulgação das minutas da reunião de julho do FOMC. O resumo indica que "muitos" responsáveis esperavam a necessidade de taxas mais altas, a menos que a inflação mostrasse mais progresso em direção ao objetivo. Desde essa reunião, os dados de inflação têm sido em geral positivos, embora a taxa anual permaneça bem acima da meta de 2% definida pela FED.

No segundo trimestre, a economia dos Estados Unidos cresceu apenas 1,5% em termos anualizados, abaixo das expectativas e do crescimento de 2,1% registado nos primeiros três meses do ano.

Trump mostrou ainda preocupação com a posição dos Estados Unidos face a alguns concorrentes internacionais. Citou em particular a Suíça, cujo banco central mantém a taxa diretora próxima de zero, numa tentativa de lidar com o problema oposto ao dos EUA: inflação muito baixa e uma moeda fortemente procurada como ativo de refúgio.

O presidente referiu que países como a Suíça têm "as taxas de juro mais baixas, meio por cento", enquanto os Estados Unidos pagam "três e meio por cento". Trump afirmou ainda ter "o direito absoluto" de cortar toda a atividade económica com um país como a Suíça, embora não tenha detalhado como ou em que termos o poderia fazer.

Apesar das críticas às taxas que considera injustamente elevadas, Trump afirmou não ver um problema no mercado obrigacionista norte-americano.

Mais cedo, na quarta-feira, o Departamento do Tesouro anunciou um reforço do programa de recompra de obrigações, após um aumento significativo da emissão de dívida de maturidades mais longas. O programa passará a incidir especificamente sobre títulos com duração mínima de 10 anos.

Vê outras notícias!

Vê outras notícias!