O Presidente Donald Trump tem passado anos a tentar enfraquecer a economia chinesa através da imposição de taxas alfandegárias, restrições ao acesso a tecnologia avançada e apelos para que os parceiros reduzam a dependência de Pequim. No entanto, ao iniciar os encontros com o Presidente chinês Xi Jinping, a retórica habitual contrasta com um cenário em que a China se revelou mais difícil de isolar e os aliados ocidentais mostram relutância em alinhar-se totalmente com Washington.
Parte desta resistência resulta da estratégia adotada por Pequim, que aprofundou laços comerciais a nível global e reforçou a sua própria influência, nomeadamente através dos recursos minerais essenciais. O excedente comercial global da China atingiu um recorde de 1,2 biliões de dólares em 2025, superando a marca de um bilião pelo segundo ano consecutivo, mesmo com a diminuição das exportações diretas para os Estados Unidos. Contudo, esta dinâmica também espelha a abordagem de Trump desde o seu regresso ao cargo, marcada por disputas sobre despesas de defesa e tarifas que têm gerado atritos com parceiros tradicionais.
Historicamente, uma das maiores vantagens norte-americanas tem sido a sua rede de alianças, que permitia tornar as sanções mais difíceis de contornar por parte da China. Analistas apontam que Pequim não precisa necessariamente que os aliados dos Estados Unidos mudem de lado, bastando que fiquem menos dispostos a marchar ao ritmo ditado por Washington. Com a confiança pública na fiabilidade norte-americana a registar quedas acentuadas em vários países parceiros, os governos estrangeiros procuram agora maior margem de manobra diplomática.
A mudança no equilíbrio de poder económico é evidente nos setores nevrálgicos. Enquanto as restrições norte-americanas visaram os semicondutores avançados, a China respondeu ao impor controlos à exportação de elementos de terras raras, controlando a esmagadora maioria da refinação mundial. Esta vulnerabilidade ficou demonstrada quando a escassez de materiais obrigou à paragem temporária de linhas de produção automóvel em várias geografias, invertendo temporariamente o sentido da dependência.
Com o fim da trégua comercial a aproximar-se e as negociações a decorrer entre responsáveis governamentais de ambas as potências, a cimeira decorre sob uma nova realidade geopolítica. Embora os Estados Unidos mantenham trunfos importantes no ecossistema tecnológico global, a margem de manobra do executivo norte-americano enfrenta agora o teste de uma frente aliada consideravelmente mais fragmentada.


