O Presidente Donald Trump exigiu esta quarta-feira que a Reserva Federal (FED) reduza drasticamente as taxas de juro para um nível de 1% ou menos. Esta reação surge poucas horas depois de o banco central norte-americano ter anunciado o seu primeiro aumento das taxas de juro desde o ano de 2023. Através de uma publicação na rede social Truth Social, o líder norte-americano afirmou que os Estados Unidos estão a carregar quase todos os países do mundo e que tal situação não pode continuar por mais tempo, apelando a uma descida rápida dos custos de financiamento no país.
A decisão do Comité Federal de Mercado Aberto
A Reserva Federal, atualmente liderada por Kevin Warsh, uma escolha do próprio Trump, elevou as taxas de juro de referência em um quarto de ponto percentual, fixando o intervalo de referência entre os 3,75% e os 4%. A decisão tomada pelo Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC), composto por 12 membros, foi unânime. Em comunicado oficial emitido após a reunião, o comité justificou a medida sublinhando que a inflação permanece elevada, indicando ainda que a maioria dos responsáveis do banco central antecipa que poderá ocorrer um novo aumento das taxas num futuro próximo.
Apesar da postura técnica do FED, Trump manteve a sua campanha de pressão implacável para que os custos de empréstimo sejam reduzidos de forma drástica. O Presidente insistiu que as taxas nos Estados Unidos deveriam estar no patamar de 1% ou menos, argumentando que o país detém o melhor crédito do mundo. Trump afirmou que a nação está a registar um forte crescimento no novo investimento, alegando que os Estados Unidos arrecadaram cerca de 20 biliões de dólares durante o seu segundo mandato, embora estes números sejam contestados por analistas independentes.
No âmbito da sua estratégia económica, o Presidente sugeriu que, se os Estados Unidos interrompessem as trocas comerciais com todos os países com os quais mantêm um défice comercial, o país poderia gerar pelo menos 1,5 biliões de dólares por ano. Esta retórica surge pouco tempo depois de Trump ter ameaçado cortar o comércio com parceiros que apresentem excedentes comerciais face aos Estados Unidos, caso o FED não proceda ao corte das taxas de juro. Esta ameaça extrema intensificou a pressão sobre a instituição financeira, que tinha vivido um período de relativa acalmia desde que Warsh sucedeu a Jerome Powell na presidência.
Até ao momento, Trump e os seus conselheiros diretos têm evitado ataques pessoais diretos a Kevin Warsh. O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, reforçou que o Presidente acredita na independência da Reserva Federal, mas sublinhou que isso não impede o líder da nação de exercer o seu direito de expressão quando considera que as decisões tomadas não são as mais adequadas para o desempenho económico do país. O equilíbrio entre a autonomia do banco central e as exigências políticas continua a ser um ponto de tensão central na gestão económica da administração atual.


