O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira que a América não vai investir dinheiro no Irão, depois de ter sido alcançado um memorando de entendimento com Teerão.
Em declarações aos jornalistas à margem da cimeira do G7, em Évian, França, Trump classificou de ridículos os rumores sobre um eventual investimento americano no país.
Não estamos a investir dinheiro algum no Irão, disse Trump, acrescentando que os Estados Unidos podem ter o direito de intervir no futuro, caso queira tomar essa decisão ou caso alguém queira fazê-lo, mas sublinhando que, por agora, não haverá qualquer investimento.
Horas antes de partir dos Estados Unidos para França, Trump anunciou que os EUA e o Irão tinham chegado a um acordo para pôr fim à guerra no Médio Oriente. Na segunda-feira à noite, numa publicação na Truth Social, descreveu como falsa a informação de que Washington pagaria uma soma elevada de dinheiro ao Irão.
Trump aparentava referir-se a notícias segundo as quais os termos do acordo de paz poderiam incluir a criação de um fundo de investimento de 300 mil milhões de dólares para o Irão. O vice-presidente JD Vance disse à CBS na segunda-feira que seria o tipo de acesso que poderiam ter, financiado pela Gulf Coast Coalition, desde que cumprissem a sua parte da obrigação.
O presidente americano também afirmou manter uma boa relação com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apesar de admitir que não gosta da forma como Israel está a conduzir a guerra com o Hezbollah no Líbano.
Israel concordou com um cessar-fogo com o Líbano no início deste mês, depois de semanas de operações militares no sul do país. No domingo, Israel disse que o seu exército tinha atacado alvos do Hezbollah nos subúrbios do sul de Beirute.
Tenho tido uma excelente relação com o Bibi, mas agora o Bibi tem de ser mais responsável em relação ao Líbano, disse Trump, acrescentando que o Líbano já foi um grande país e que tem sido dos países mais maltratados, sem capacidade para se defender, com o Hezbollah a representar um problema.
Trump afirmou ainda que não está satisfeito com a forma como Israel tem lidado com o Líbano e com o Hezbollah.
O Irão e a situação no Médio Oriente deverão estar entre os temas dominantes da cimeira do G7, juntamente com a segurança da Ucrânia, o equilíbrio das disparidades de crescimento económico e o futuro da inteligência artificial.
Os líderes europeus saudaram o acordo entre Washington e Teerão e vão usar a cimeira para pedir clareza sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.
O Estreito de Ormuz tem de reabrir, e a liberdade de navegação tem de ser restaurada, sem portagens, afirmou na segunda-feira a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apelando também a um cessar-fogo no Líbano.
Von der Leyen acrescentou que esta crise mostra mais uma vez como a dependência energética pode ser usada como arma e que a discussão na cimeira também irá incidir sobre a redução da dependência do trânsito através do estreito.
A cimeira do G7 deste ano decorre em Évian, França, depois de no ano passado, em Kananaskis, no Canadá, Trump ter saído mais cedo para lidar com o aumento das tensões com o Irão. Na altura, Israel e o Irão estavam em guerra, num conflito que durou 12 dias e terminou pouco depois da cimeira do G7 de 2025.

