O Presidente Donald Trump emitiu uma ordem executiva que instrui todos os departamentos e agências do ramo executivo a adotarem formalmente o termo super inteligência em substituição de inteligência artificial. O decreto presidencial, anunciado pela Casa Branca após um almoço de trabalho com vários líderes do setor tecnológico, surge como uma tentativa de redefinir a imagem de uma indústria que o presidente tem apoiado de forma convicta, mesmo num momento em que os cidadãos demonstram uma desconfiança crescente face ao rápido avanço desta tecnologia.
O documento oficial, intitulado Inaugurar a Era da Super Inteligência, visa reconhecer a fronteira tecnológica em constante evolução e a promessa ilimitada que esta oferece ao povo americano. Com esta decisão, os termos inteligência artificial e a respetiva sigla deixam de ser reconhecidos ou utilizados em qualquer correspondência oficial, comunicações públicas, políticas ou outros documentos do governo. Trump afirmou perante os jornalistas que a alteração foi formalizada em conjunto com as mentes mais brilhantes do setor tecnológico mundial.
Apesar de o presidente ter sugerido que os líderes empresariais assinaram a mudança de nome, os executivos subscreveram, na verdade, um documento independente denominado Acordo da Casa Branca sobre a Super Inteligência. Este compromisso conjunto sobre responsabilidades de fronteira estabelece que cada empresa é responsável por desenvolver a sua tecnologia de forma segura e que inspire confiança. O acordo foi assinado por figuras de relevo como Sundar Pichai da Google, Elon Musk da Tesla e SpaceX, Dario Amodei da Anthropic, Mark Zuckerberg da Meta, Greg Brockman da OpenAI e Jensen Huang da Nvidia. Questionado sobre a validade do documento, Trump referiu que o mesmo tem uma força moral.
Contestação política e descontentamento público
A iniciativa de alteração de nome surge numa altura em que as sondagens revelam um forte descontentamento da população em relação à gestão deste tema pela administração. Um estudo de opinião recente da Universidade Quinnipiac indica que apenas 25% dos inquiridos aprovam a atuação do presidente nesta matéria, face a 58% que a desaprovam. Este desempenho é inferior ao registado em áreas como a economia ou a política externa com a China. O senador Mark R. Warner criticou duramente a medida, classificando a postura do presidente como pouco séria perante os riscos reais da tecnologia, argumentando que mudar o nome não resolve as falhas de segurança.
Esta não é a primeira vez que Trump recorre a decretos para alterar designações geográficas ou tecnológicas. No passado recente, o presidente já tinha assinado ordens executivas para renomear o Lago Ontário como Lago América e o Golfo do México como Golfo da América. Confrontado com as preocupações de segurança e com o impacto eleitoral que o apoio incondicional a esta tecnologia e aos centros de dados poderá ter nas próximas eleições intercalares, Trump desvalorizou os riscos, afirmando que apenas tem de fazer o que considera correto para manter a liderança face à concorrência da China.


