O presidente Donald Trump vai viajar para França para participar na cimeira anual do G7, num momento em que os Estados Unidos e o Irão ainda não fecharam o acordo esperado para pôr fim à guerra no Médio Oriente.
A reunião de três dias começa na segunda-feira, em Évian-les-Bains, na margem oriental de França, junto à fronteira com a Suíça, nas margens do Lago de Genebra.
Trump afirmou que partirá para a cimeira “imediatamente” depois de assistir a um combate de artes marciais mistas, marcado para domingo à noite, na South Lawn da Casa Branca. O combate da UFC coincide com o 80.º aniversário de Trump.
Desde janeiro, quando França assumiu a presidência rotativa do G7, Emmanuel Macron tem manifestado vontade de colocar em destaque a redução das desigualdades e o reforço do multilateralismo, num contexto de tensões comerciais e geopolíticas. Essas prioridades podem colidir com a agenda America First de Trump, sob a qual o presidente impôs tarifas, atacou outros líderes mundiais directamente e nas redes sociais e desencadeou uma guerra.
A desigualdade nos Estados Unidos é pior do que em qualquer país europeu, com excepção da Turquia, e está apenas ligeiramente abaixo do seu nível mais elevado de sempre, segundo o índice de Gini do Banco Mundial.
No seu segundo mandato na Casa Branca, ainda mais do que no primeiro, Trump afastou-se de aliados tradicionais dos Estados Unidos e voltou várias vezes a sugerir a saída do país da NATO, a principal aliança de defesa entre os Estados Unidos e a Europa.
Embora o acordo para acabar com a guerra no Irão esteja a concentrar grande parte da atenção mundial, os líderes do G7 deverão também dedicar tempo à guerra da Rússia contra a Ucrânia, que continua a decorrer no leste da Europa.
Os sete países, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, além da União Europeia, deverão ainda discutir temas ligados à inteligência artificial, protecções online e combate ao crime organizado.
Victor Cha, presidente do departamento de Geopolítica e Política Externa do Center for Strategic and International Studies, disse que poderá haver “verdadeiros fogos de artifício” na discussão sobre inteligência artificial.
Segundo Cha, a Europa quer travar as grandes empresas tecnológicas e regular os líderes da IA com base em critérios energéticos e ambientais, enquanto os Estados Unidos, sob Trump, se opõem a uma regulação agressiva do sector emergente.
Macron, que tem procurado aproximar-se de líderes tecnológicos, convidou Sam Altman, director executivo da OpenAI, para participar na cimeira e nas conversas com os líderes, disse a empresa à CNBC. A Bloomberg noticiou ainda que executivos da Anthropic e da Google também deverão estar presentes.
Cha antecipou que Trump será provavelmente recebido no encontro por vários líderes mundiais que procuram conter os próprios Estados Unidos.
“Mesmo em condições favoráveis, Trump está a entrar num G7 em que os europeus não apreciaram a forma como falou da Europa”, afirmou. “Com todos estes temas na agenda, tenho a certeza de que será uma conversa muito franca, directa e intensa.”
No entanto, a cimeira poderá ficar ofuscada pela guerra no Irão, iniciada por Trump em Fevereiro e que o presidente tem repetido estar perto do fim.
Um alto مسؤول? Wait can't include non-PT. Need fix.

