UE apresenta pacote de soberania tecnológica para reduzir dependência de tecnologia dos EUA e da China

UE apresenta pacote de soberania tecnológica para reduzir dependência de tecnologia dos EUA e da China

UE apresenta pacote de soberania tecnológica para reduzir dependência de tecnologia dos EUA e da China

Bruxelas quer reforçar chips, cloud e IA na Europa

A Comissão Europeia apresentou esta quarta-feira um conjunto de propostas para reforçar os chips, a inteligência artificial e os serviços de cloud desenvolvidos na Europa, numa resposta à forte dependência do bloco face a fornecedores dos Estados Unidos e da China.

As medidas ainda terão de ser aprovadas pelos 27 Estados-membros e incluem novas ações para impulsionar a produção avançada de semicondutores e a computação em cloud de origem europeia.

Menor dependência de fornecedores externos

Com as tensões geopolíticas a aumentar, têm crescido os apelos para que a Europa diversifique a sua dependência de fornecedores não europeus de tecnologias críticas, incluindo empresas tecnológicas norte-americanas, que dominam atualmente o mercado europeu.

Ursula von der Leyen afirmou que a Europa não pode depender de outros para tecnologias que mantêm hospitais a funcionar, redes energéticas estáveis e serviços seguros.

Henna Virkkunen disse aos jornalistas que a Comissão Europeia quer garantir que os fornecedores de cloud de cargas de trabalho críticas não tenham um kill switch. Acrescentou ainda que seria difícil para empresas norte-americanas atingirem os níveis mais elevados de soberania por causa do Cloud Act, que permite às autoridades dos EUA pedir dados de utilizadores a empresas americanas, independentemente do local onde os dados estejam armazenados.

Virkkunen sublinhou também que a intenção é garantir que os dados sensíveis mais críticos fiquem armazenados na Europa.

Cloud and AI Development Act e Chips Act 2.0

O pacote inclui o Cloud and AI Development Act, apresentado para mitigar os riscos resultantes da dependência da UE de países terceiros no que toca aos serviços de cloud. O objetivo é criar um enquadramento à escala europeia que defina diferentes níveis de soberania necessários para a cloud em cargas de trabalho sensíveis em organismos públicos.

A Comissão Europeia também anunciou um novo texto para reforçar o setor europeu dos semicondutores, designado Chips Act 2.0. A primeira versão do Chips Act introduziu várias medidas para assegurar o abastecimento de semicondutores e aumentar a quota global da UE neste mercado.

A nova proposta pretende responder à dependência excessiva de países terceiros no desenho e fabrico de chips, bem como à insuficiente preparação para crises. A Comissão indicou ainda que o pacote vai dar prioridade à criação de uma fábrica para capacidades avançadas de fabrico de semicondutores no bloco.

O Chips Act 2.0 também procura expandir a capacidade em tecnologias de semicondutores de ponta que suportam a IA.

Debate sobre soberania tecnológica acelera em Bruxelas

Keegan McBride, diretor de Ciência e Tecnologia do Tony Blair Institute for Global Change, disse que o pacote é um passo importante e que, na era da IA, o acesso a capacidade de computação, energia, talento e infraestrutura digital vai determinar quais os países que prosperam.

Ainda assim, alertou que uma viragem total para uma abordagem tecnológica centrada apenas na Europa deixaria o continente mais fraco. Defendeu que as grandes potências não devem usar apenas tecnologia em casa, mas também ter ambição global para construir, implementar e exportar a sua tecnologia para o mundo.

Segundo McBride, a Europa ainda não está a seguir esse caminho.

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