As ofertas de emprego atingiram em abril o nível mais elevado em quase dois anos, ao mesmo tempo que a contratação abrandou de forma acentuada, segundo um relatório do governo divulgado na terça-feira. Os dados apontam para uma procura ainda elevada por trabalhadores, mas também para um ritmo de recrutamento fraco no mercado laboral.
Ofertas sobem acima das pessoas desempregadas
O Bureau of Labor Statistics indicou que o número de vagas disponíveis subiu para 7,6 milhões em abril, mais 731 000 do que no mês anterior e o valor mais alto desde maio de 2024. Os economistas inquiridos pela Dow Jones esperavam 6,8 milhões de vagas.
Este aumento colocou o número de empregos disponíveis acima do total de trabalhadores desempregados. A taxa de vagas em relação ao tamanho da força de trabalho subiu 0,4 pontos percentuais, para 4,6%.
Serviços profissionais e empresariais concentraram a maior subida
Por setor, quase todo o aumento das vagas veio da área de serviços profissionais e empresariais, que acrescentou 668 000 posições, um possível sinal do impacto da inteligência artificial sobre a procura de trabalho. Os cuidados de saúde e assistência social, o maior motor da criação de emprego, adicionaram 89 000 vagas. Já as atividades financeiras registaram uma queda de 134 000.
Na maior parte das restantes categorias, a variação foi reduzida.
Contratação perde força e despedimentos também baixam
Apesar da subida das vagas, a taxa de contratação recuou. As empresas contrataram 5,12 milhões de trabalhadores durante o mês, menos 419 000 do que em março, levando a taxa para 3,2%, uma descida de 0,3 pontos percentuais.
Os despedimentos e dispensas também diminuíram ligeiramente, para 1,7 milhões, menos 192 000. As demissões voluntárias, um indicador da mobilidade e da confiança dos trabalhadores em encontrar novo emprego, caíram para pouco menos de 3 milhões, menos 183 000 e o nível mais baixo desde agosto de 2020.
Fed acompanha sinais de fraqueza no mercado laboral
Em termos gerais, o relatório confirma o ambiente de baixa contratação e baixas saídas que tem marcado o mercado laboral desde o início de 2025. Os pedidos semanais de subsídio de desemprego têm permanecido em níveis baixos, com exceção de alguns aumentos pontuais, enquanto a taxa de desemprego mal se mexeu e ficou em 4,3%.
Os responsáveis da Reserva Federal acompanham estes dados do JOLTS em busca de sinais de folga no mercado de trabalho. Durante grande parte do ano passado, os banqueiros centrais estiveram preocupados com a fragilidade laboral, mas passaram entretanto a concentrar-se nos efeitos da inflação ligados às tarifas e à subida dos preços da energia. A Fed reúne-se ainda este mês e é amplamente esperado que mantenha as taxas de juro inalteradas.

