As bolsas globais registaram uma forte venda em massa na terça-feira, liderada por perdas acentuadas nas ações de tecnologia, após uma sessão de queda do setor em Wall Street.
Na Ásia, as ações fecharam em terreno negativo, com o índice tecnológico sul-coreano Kospi a encerrar 10% abaixo. O índice foi pressionado pelo fabricante de chips SK Hynix e pelo gigante tecnológico Samsung, ambas com perdas superiores a 12% ao fim da sessão.
Na Europa, as ações também recuaram de forma acentuada, com o índice pan‑europeu Stoxx 600 a perder cerca de 1%, após ter registado quedas mais profundas durante a manhã. O índice Stoxx 600 Technology liderou as perdas regionais, com uma descida de 3%. O fabricante de chips STMicroelectronics e o produtor holandês de equipamento para semicondutores ASMI caíram mais de 7%, figurando entre os maiores desvalorizadores do Stoxx 600.
Entretanto, os futuros ligados ao índice Nasdaq 100, em Nova Iorque, que reúne empresas como Nvidia, Apple, Alphabet e Microsoft, perderam 2,7% antes da abertura da sessão regular de terça‑feira.
No pré‑mercado em Wall Street, o ETF iShares Semiconductor recuava 6,2%, com as ações individuais de fabricantes de chips a registarem fortes perdas. A Intel negociava 7,6% abaixo, a Micron perdia 8,5% e a AMD estava 6,2% mais baixa. A gigante da fabricação de chips Nvidia recuava 3%.
As ações da SpaceX também prolongaram a venda, a descer 3% no pré‑mercado, após uma queda de 16% na sessão regular de segunda‑feira.
Um recuo mais amplo no setor tecnológico arrastou o S&P 500 e o Nasdaq Composite para baixo na segunda‑feira, com os investidores a saírem das chamadas ações "Magnificent Seven". As descidas da Amazon e da Meta estenderam‑se ao pré‑mercado de terça‑feira, com ambas as empresas a perderem pouco mais de 0,7%.
Apesar da pressão crescente nos mercados globais na terça‑feira, Tom Hulick, CEO da Strategy Asset Managers, afirmou à CNBC que não vê sinais de uma catástrofe iminente, sublinhando que os mercados estão "muito fluidos" neste momento.
"Não acho que estejamos perto de algum tipo de falha catastrófica nos mercados. Há demasiada liquidez disponível e o impulso dos resultados é muito forte neste momento", disse.
"A IA vai continuar a aumentar os lucros das empresas nos próximos anos. Quando se fala de despesa de capital na ordem dos triliões de dólares, isso pode levar as avaliações a níveis muito elevados para empresas como a SpaceX ou mesmo a Anthropic, mas quem pode dizer o que vai mudar o mundo com algumas destas empresas e o que elas poderão fazer no futuro?", acrescentou.
Numa nota divulgada na manhã de terça‑feira, Dan Ives, da Wedbush, considerou que a venda oferece uma oportunidade para os investidores.
"É evidente que esta [correção] vai gerar pressão de venda e nervosismo nas ações de tecnologia nos EUA esta manhã, à medida que os investidores temem que a venda acentuada no Kospi tenha um efeito de arrasto para as ações de tecnologia norte‑americanas", afirmou, referindo que a ansiedade é amplificada pelo relatório de resultados da Micron, agendado para quarta‑feira.
Ives gere o ETF AI Revolution da Wedbush, cujas principais posições incluem Micron, TSMC, ADM e Nvidia.
"Olhando para o quadro mais amplo, continuamos a acreditar que neste mercado vamos atravessar vários momentos de teste de resistência na aposta em tecnologia, à medida que a Revolução da IA permanece ainda na terceira entrada… esta manhã é apenas mais um desses momentos", concluiu na nota de terça‑feira.

