A Visa anunciou na segunda-feira que vai adquirir a startup de deteção de fraude BioCatch por 2,4 biliões de dólares em numerário, reforçando a sua aposta na cibersegurança num momento em que os bancos enfrentam uma vaga de burlas e apropriações de contas potenciadas por inteligência artificial.
Nos termos do acordo, a Visa ficará com a plataforma de biometria comportamental da BioCatch, que analisa dados como o tempo entre teclas, a pressão no ecrã tátil e outros sinais para distinguir utilizadores reais de burlões e bots. A Visa afirmou que está a adquirir a empresa à sociedade de private equity Permira, sediada em Londres, e a outros investidores.
A operação mostra como as empresas de pagamentos estão a acelerar o reforço das suas defesas antifraude, numa altura em que a IA generativa torna os ataques mais baratos, mais rápidos e mais convincentes. A Visa estima que as burlas e as apropriações de contas custem à economia global mais de 1 bilião de dólares por ano.
É também o mais recente passo da Visa para expandir a sua área de serviços de valor acrescentado, que vende software de prevenção de fraude, cibersegurança e análise a instituições financeiras e se tornou uma das divisões de crescimento mais rápido da empresa.
Andrew Torre, presidente dos serviços de valor acrescentado da Visa, afirmou que a BioCatch ajudará os clientes da empresa a travar a fraude antes de esta chegar ao momento do pagamento.
A aquisição deverá ficar concluída até ao final do segundo trimestre fiscal da Visa em 2027, sujeito a aprovações regulatórias. Outros termos financeiros não foram divulgados.
Embora a startup israelita proteja atualmente 760 milhões de utilizadores em cerca de 350 bancos, as infraestruturas globais da Visa ligam perto de 14 500 instituições financeiras, processando mais de 329 mil milhões de transações por ano, no valor de mais de 17 biliões de dólares.
Num comunicado associado ao anúncio, a BioCatch afirmou que a integração na Visa lhe permitirá ampliar o seu impacto num contexto de aumento da fraude global.
A empresa acrescentou que a realidade é que a sociedade e o setor não estão a vencer esta luta, sublinhando que o valor das perdas por fraude e burlas, bem como o número de tentativas de fraude, contas-mula e vítimas destes crimes financeiros, continua a crescer todos os anos, em alguns casos de forma exponencial, em todo o mundo.


