O Dow Jones Industrial Average subiu 680 pontos esta semana, continuando uma sequência de ganhos alimentada pelo otimismo em torno de um cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã. O acordo, mediado pelo Paquistão e anunciado no início de abril, reacendeu o apetite pelo risco nos mercados globais ao afastar receios de um conflito prolongado que interrompesse o fornecimento de energia.
O cessar-fogo condicional prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente um quinto do comércio mundial de petróleo e gás. Em troca, os Estados Unidos suspenderam bombardeios à infraestrutura civil iraniana. A notícia provocou uma queda acentuada no preço do petróleo bruto, que recuou mais de 17% e caiu bem abaixo dos 100 dólares por barril, enquanto o Brent aproximou-se dos 90 dólares.
Recuperação sustentada nas bolsas
Para além de Wall Street, os índices tecnológicos também beneficiaram. O Nasdaq Composite atingiu novos máximos históricos, com o S&P 500 a acompanhar a tendência. Na quinta-feira, ambos os índices fecharam em patamares recordes, com o S&P 500 a subir cerca de 1% e o Nasdaq a ganhar 0,4%. Este rali estende-se há vários dias consecutivos, marcando o melhor desempenho desde o início de abril.
Europa e Ásia seguem tendência
As bolsas europeias reagiram de forma semelhante. O DAX alemão subiu 5,30%, enquanto o CAC 40 francês avançou 4,90% e o FTSE 100 britânico ganhou 3,10%. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 4,38%. Em Tóquio, o Nikkei 225 disparou 5,4%, refletindo esperança de que a queda nos preços do petróleo ajude a conter a inflação. A Bolsa de Seul também registou ganhos significativos, com o Kospi a subir 6,9%.
Energia pressionada, tecnologia em foco
O setor de energia suportou os ganhos mais acentuados em alguns índices, impulsionado pela expectativa de que as tensões se dissipem. No entanto, o subíndice de energia do S&P 500 recuou, com empresas como Exxon e Chevron a perderem valor face à queda dos preços do petróleo. Este movimento reflete a típica dinâmica de mercado onde a queda do preço das commodities prejudica produtoras de energia apesar de beneficiar a economia em geral.
A sequência de máximos históricos em índices tecnológicos sugere que os investidores reorientam capital para setores de crescimento numa altura em que diminui a incerteza sobre interrupções de energia. A redução da taxa de retorno dos títulos de dez anos também suporta esta preferência, sinalizando expectativas de inflação mais controlada.


