Elizabeth Warren, senadora democrata pelo Massachusetts, afirmou na quinta-feira que a reestruturação do Consumer Financial Protection Bureau (CFPB) pela administração de Donald Trump já custou aos americanos até 26,5 biliões de dólares, numa nova crítica democrata às mudanças profundas realizadas na agência.
De acordo com um relatório elaborado por Warren, a maior parte deste valor resulta de decisões tomadas pelo CFPB sob a liderança do diretor interino Russell Vought, que procurou reverter regras que limitavam comissões de cartões de crédito e taxas de descoberto bancário.
O relatório surge no mesmo dia em que Vought enfrenta uma audição de supervisão no Senado sobre estas e outras medidas, incluindo o arquivamento de ações de fiscalização e ordens de consentimento, bem como uma alegação de que a agência terá removido 15 anos de dados de consumidores do site do CFPB.
Desde que tomou posse no ano passado, a administração Trump reduziu significativamente o número de funcionários, abandonou ou restringiu dezenas de processos de execução e revogou regras adotadas na era Biden, com o objetivo declarado de recentrar a agência naquilo que os responsáveis consideram ser a sua missão principal.
Republicanos defendem estas alterações como necessárias para limitar o que consideram ser um regulador excessivo. Democratas liderados por Warren, que idealizou e ajudou a criar a agência após a crise financeira de 2008, argumentam que a administração Trump enfraqueceu gravemente um importante organismo de proteção financeira do consumidor e expôs os americanos a práticas injustas ou enganosas por parte do setor financeiro.
O confronto político ocorre enquanto o Senado avalia a nomeação de Brian Johnson, antigo diretor-adjunto do CFPB que se tornou executivo da Capital One, escolhido pelo presidente Donald Trump para liderar permanentemente a agência.
O relatório de Warren atribui até 15 biliões de dólares em custos adicionais para os consumidores à decisão do CFPB de abandonar uma regra que limitava a maioria das comissões por atraso em pagamentos de cartões de crédito a 8 dólares. A própria agência tinha estimado anteriormente que essa regulamentação permitiria poupar cerca de 10 biliões de dólares por ano aos consumidores.
O documento aponta ainda para mais 7,5 biliões de dólares de impacto decorrente da revogação da regra sobre taxas de descoberto, que teria limitado muitos bancos a cobrarem 5 dólares por cada situação de descoberto.
O restante valor estimado resulta da decisão do CFPB de arquivar mais de três dezenas de ações de fiscalização e acordos, alguns dos quais previam pagamentos diretos aos consumidores. De acordo com o relatório, essas quantias totalizavam cerca de 4 biliões de dólares.
A Casa Branca e o CFPB não responderam de imediato a pedidos de comentário.
Antes da audição de quinta-feira, Warren enviou também uma carta a Vought onde enumera aquilo que descreve como pedidos de supervisão parlamentar sem resposta durante o período em que este tem dirigido o CFPB.

